Logo eu…

Logo eu, que nunca falei bem em público. Que fico nervosa e não durmo a noite. Eu, que escrevo muito melhor do que falo. Eu, que sou tímida com quem não conheço e não gosto nem de falar ao telefone. Logo eu, que sempre odiei meus aniversários porque gosto de ficar ali na minha, no canto. Eu mesma, que queria pular a cerimônia do meu próprio casamento e ir logo para a festa, para que as pessoas parassem de olhar pra mim. Eu, que sempre escrevi meus textos pessoais para poucos e selecionados leitores.

Logo eu, logo agora, quase na metade da vida, em um momento de decisões e caminhos incertos, de escolhas inseguras e difíceis, decidi sair um pouco de “por trás das câmeras”, arriscar a medalha de ouro no salto em distância bem longe da minha zona de conforto.

Logo eu, estou escrevendo um livro. Conversando com pessoas que não conheço. Enviando milhares de mensagens, dando palestras, viajando para falar dela. Logo eu, que sempre amei contar histórias e hoje em dia quando inicio uma, escuto “ah essa eu já li no seu blog”. Eu, que tenho a minha personagem principal, reconhecida por todos como Vóvis. Eu, que recebo áudios e vídeos e faço amigos incríveis à distância por ela, pra falar sobre ela. Eu, que recebo comentários no blog de pessoas dizendo “o trabalho que você faz é maravilhoso”, “o seu projeto inspira”, e eu penso “que trabalho? Que projeto?”, “inspira, é? Por quê?”. Logo eu, que recebo incentivo, apoio e carinho de tantas pessoas e sequer acho que isso seja um trabalho. Talvez porque seja tão natural e eu ame tanto fazer… que nunca pensei nisso como um.

Eu, que não sou a protagonista dessa história, mas faço a narrativa e alguns papéis secundários. Eu sou, como ela mesma disse, “a sua história”. Talvez seja por isso que eu goste tanto de falar sobre ela. Talvez eu sinta que eu sou uma espécie de HD, o backup de registros que ela não pode perder. Não vivi sua vida e tenho certeza de que não sei de tudo que ela viveu, mas meus 30 anos tem registros incríveis com ela. Meus 30 anos de bagagem que me ensinam que não sei nada e preciso aprender muito da vida a cada dia mais. Tenho certeza que aos 80 pensarei da mesma maneira, porque a gente nunca para de aprender, ou pelo menos, não deveria.

Eu, que aprendi com ela que “se der medo vai com medo mesmo”. Logo eu, que aprendi na marra a levantar da cama todos os dias mesmo quando estava cansada, triste ou doente, pra ficar com ela. Eu, que eu aprendi que a gente tem sim que ver o lado bom e engraçado da vida, mesmo quando o mundo está caindo na sua cabeça. Que aprendi que não tem problema nenhum, de vez em quando, trocar a janta por um chocolate gordo. Não faz mal e traz felicidade. Aprendi que o amor é sempre o principal. Que a gente dá um jeito. Que ninguém é obrigado a aguentar nada que não queira. Que existe amor cego e existe amor que muda a vida, muda o mundo. Que vai ficar tudo bem, mesmo que não seja como a gente imagina.

E sair da minha zona de conforto dessa maneira, foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

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Vóvis e eu

 

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