Atrasada para a Igreja

Vóvis estava passeadeira (se é que essa palavra existe). Cheguei e ela estava com a enfermeira, uma moça boazinha que dava risada. 

– Olha quem chegou. – a moça disse apontando para mim.

Abri os braços esperando um abraço. Vóvis me olhou e disse:

– Ah, então vamos logo? 

– Pra onde?

– Vamos minha filha que já tô atrasada! – disse me puxando pelo braço.

Saímos pela porta principal, grande e de vidro. Vóvis me pediu para esperar, parou em frente à porta e fez o sinal da cruz. Umas cinco vezes. 

– Por que isso agora? – perguntei curiosa. 

– Não ri não! Que essa é uma igreja séria. – brigou comigo, falando sobre a porta. 

Concordei e fiz o sinal da cruz também.

Pelo menos quinze voltas depois pelos arredores da clínica e Vóvis topou descansar um pouquinho. 

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