Primeira gravação #Globo

A equipe de filmagem da Globo de São Paulo queria filmar com Vóvis. Fiquei apreensiva. Será que ela ia se comportar? Será que estaria sonolenta? Agitada? Será que iria falar algumas besteiras (que às vezes fala) em rede nacional?

Bom, era gravação, não era ao vivo, então estava tudo bem. Mamãe foi buscá-la logo cedo para que ela pudesse ir se acostumando ao ambiente (porque cada dia é um novo dia) e titia pediu para a clínica não dar a ela o remédio que dá sono especificamente naquele dia, para que ela estivesse acordada.

Os meninos chegaram, três. Vóvis estava sentada em sua cadeira de balanço, olhos fechados e cabeça baixa.

O Mineiro, da produção, com o maior carinho se aproximou, se curvou em sua altura, e disse:

– Oi dona Luíza, eu sou o Mineiro.

Vóvis abriu os olhos, olhou bem para ele e disse em alto e bom som:

– Nossa, mas que homem bonito!!!

Pronto, Vóvis havia conquistado toda a equipe.

Ela dançou, mandou beijo, conversou. A gravação foi sucesso.

Um moço da equipe se manteve mais distante, calado na dele. Era todo fortão, tatuado e cara de bravo (mas era só o jeito). Passou por Vóvis, que aproveitou para puxá-lo pelo braço e perguntar com carinho:

– Ei, pitchuco, você não tá bravo não, né?

Ele caiu na gargalhada.

Mineiro avisou, era hora de ir embora.

– Ah não, não vai embora não. Por quê??? – Vóvis reclamou nervosa.

– E quer saber do que mais, vó? – eu provoquei – eles vão embora sem comer nada!

– Meu pai amado! – esbravejou.

O pior pecado do mundo para Vóvis, é alguém não comer, seja qual for o motivo. Liberamos a equipe, Vóvis passou à tarde com a gente, falando sem parar até enquanto cochilava no sofá. E eu querendo tanto, mas tanto, que ela entendesse e soubesse o quanto estava sendo importante para tantas famílias naquele momento.

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